Dois finais de semana seguidos de pura terapia para os ouvidos: No primeiro, BRASILINTIME no Sesc. Mad Lib, J-Rocc, Babu, Nuts e Primo, Tony Allen, Derf Reklaw, Ivan Mamão, Wilson das Neves e Pupilo alternavam a atenção da exigente platéia. Uma mistura de bumbos, caixas, hihats, scratches, viradinhas, colagens, gerações e estilos, sempre em harmonia. E um punhado de momentos bacanas. O set de música brasileira (save the seventies!) do Nuts. Homenagem ao JDilla. A conversinha de Primo, Nuts e Pupilo. Batucada literalmente nos toca-discos. Muito ritmo, frenético. Desvirtua.

(Histórico!)
No segundo, o que era para ser trabalho vira prazer. Como deve ser. O auditório do Ibirapuera tem uma estrutura de abrir a boca. Pra ficar perfeito, o talentoso produtor BID (ex-Funk Como Le Gusta) conseguiu reunir no mesmo palco simplesmente Lula Barreto (União Black), Carlos Dafé (tocando piano de cauda, cantando e até dançando), Seu Jorge, Marku Ribas (um dos fundadores do samba rock ao lado de Jorge Ben e Trio Mocotó), Black Alien, Rappin Hood, dj Nuts, e muitos outros. O disco "Bambas e Biritas" é daqueles que tem que virar vinil, tem que cantar junto, tem que ouvir trinta vezes. E o show tem que virar dvd - e vai. Elza Soares fez falta já que ela interpreta uma das melhores faixas, substituída por Iara Rennó, a autora da letra. E te falar que o seu Jorge tem "A" presença de palco. E te falar também que o Mr. Niterói decepcionou. Mas entre tantos bambas (e biritas, depois do show) o groove reinou legal e desceu redondo, docinho.

("Não pára, não pára, não pára, coração não páaaara...")
CACHÉ, 2005, Áustria, Alemanha, Itália, França, dir: Michael Haneke. Com 4 prêmios no European Film Awards e mais 3 indicações, além do Prêmio Ecumênico do Júri, o de melhor diretor e o FIPRESCI no festival de Cannes, quem sou eu para falar que não gostei? Pois é. Não gostei. O filme é extremamente l...e...n...t...o e olha que não tenho problemas com isso: o japonês "Dolls" está no meu top 5. Um casal comum começa a receber desenhos estranhos embrulhando fitas de vídeo com um momento do cotidiano deles filmado. Anônimas, claro, no melhor estilo "tô de olho". Quando Georges vai prestar queixa à polícia, eles não podem fazer nada (grande novidade) pois não houve ameaça. A cada vídeo, o observador demonstra conhecer mais o passado dele, levando-o a investigar por conta própria. Em algumas cenas, a câmera fica parada por vários (e eternozzzzzz...) minutos mostrando a entrada da casa ou a rua, e descobre-se em seguida que faz parte do vídeo que eles estavam assistindo. Por trás tem toda uma história sobre o comportamento e reações de Georges (o observado) além da questão França x Argélia (ex-colônia). Não tenho nenhum problema com finais, na realidade prefiro os menos hollywoodianos (e foram felizes para sempre o escambau), mas esse se superou - é daqueles que deixa todo mundo sentado até as letrinhas pararem de subir, na esperança de uma revelação súbita. Eu não esperei as letrinhas subirem. Se vc esperou, me fala.
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