Ingressos esgotados no Credicard Hall. Quarenta minutos para estacionar. Meio milhão de flanelinhas enchendo o saco. Mas o show... Luzes apagadas. Entra o baterista. Entram os dois guitarristas. Gritos!! "I gotta learn how to lose and to choose my own wars, I gotta understand it's not me against the world no more..." - explode Nikola, vocalista e baixista, levando o Credicard abaixo com Kemp.
O Millencolin é uma banda sueca de hardcore que tem como influências Bad Religion, Nofx, Operation Ivy, etc. Essa é a segunda vez no Brasil (a primeira foi há uns 8 anos), mas a primeira vez que vejo. Show curto para tanta expectativa, mas com o set list bem diversificado:teve som do Same Old Tunes, Life on a Plate, For Monkeys, Pennybridge Pioneers, Home from Home e, claro, Kingwood, o último lançado (2005). No público, as famosas rodinhas eram uma coisa só, tanta energia junta que quase dava para ver faísca.
De lá, a turnê passou pelo Rio, Vitória e Curitiba. Sorte sua se viu, showzaço!
(brigada Lé!)
"Pense numa rádio com liberdade de escolha. Provavelmente ela não aceita Jabá!
O Jabá é o pagamento feito pelas gravadoras para que toquem somente as músicas determinadas. Quem não paga, não toca. O pagamento define que tipo de música, qual artista ou grupo irá tocar naquela rádio ou aparecer naquele programa de TV. Ou seja, você até acha que escolheu o sucesso do mês, mas é bem possível que uma grande gravadora tenha escolhido por você.
“Ah, então é por isso que aquela banda legal não toca na rádio...”
Para construir meios de comunicação acessíveis a todos os artistas e músicos – sejam independentes, alternativos ou consagrados, é necessário acabar esse pedágio. O caminho mais próximo hoje é a aprovação pelo Congresso Nacional do projeto de Lei 1048/2003 que torna crime a prática da aceitação de dinheiro por música, e pune os que aceitarem com detenção e multa.
Liberdade de escolha e diversidade garantidas! Mobilize"
É só mandar mensagem para movimentopelofimdojaba@gmail.com com nome completo, profissão e número do documento (rg, cpf ou ordem dos músicos). Precisamos de assinaturas para aprovar a lei do deputado Fernando Ferro.
Vamos colaborar!
AUDITION (Oodishon), 2000, Japão e Coréia do Sul, dir: Takashi Miike. Um terror tão explícito que deveria ser identificado com os famosos XXX que os adolescentes tanto veneram. A personagem principal é Aoyama (muito bem representado por Ryo Ishibashi, ex vocal de uma banda de punk), um viúvo que vive com seu filho. Ele sente o peso da solidão constantemente, ora vendo a namorada do filho, ora o casamento de sua secretária. Por que só ele está sozinho? No auge do desepero, organiza um casting para um filme hipotético e escolhe sua "futura" mulher através de fichas - Asami, uma bailarina que teve que desistir de seu sonho por causa de um acidente. Emocionado com sua história, marca um encontro onde, após transarem, ela simplesmente some. Intrigado, sai à procura da misteriosa moça, descobrindo o envolvimento dela com assassinatos e desaparecimentos, o que desperta ainda mais curiosidade. A partir daí, o que parecia ser mais um filme de amor e desamor, transforma-se em agonia, medo, dor. Para se ter idéia da perversidade, Asami é perita em acupuntura e conhece todos os pontos que provocam a mais insana dor. Aplica uma injeção que paralisa completamente Aoyama, mas não anestesia os sentidos. E lentamente vai enfiando cada agulha pronunciando um medonho "kiri kiri kiri kiri" de voz doce (algo como "mais fundo, mais fundo"), apreciando o imenso pânico nos olhos do coitado. Não satisfeita,... bom não vou contar mais. Assista.
Agora, em busca dos ainda mais perversos "Visitor Q" e "Gozu - The Yakuza Horror Theater", do mesmo diretor, no melhor style "vi o inferno e gostei". Quem achar, avisa.
AMOR À FLOR DA PELE (In The Mood For Love), China, 200, dir: Wong Kar-wai. Chow, jornalista, muda-se com a esposa (que não mostra o rosto em nenhuma cena do filme) para um quarto alugado na casa da sra Suen. Lá, conhece Chan, também recém-instalada no quarto vizinho. São dois solitários, já que a esposa dele está sempre trabalhando e o marido de Chan (que também não aparece claramente) está sempre viajando. Eles acabam por aproximar-se criando um laço, e descobrem juntos que seus respectivos estão os traindo - um com o outro. Porém, ela decide que não vai igualar-se a eles (superioridade elegantíssima), mesmo descobrindo em Chow um amor sem precendentes, das duas partes. O filme é tão bom que consegue transparecer a intensidade do sentimento sem eles nem mesmo se beijarem. Esse é o filme que antecede "2046 - Os Segredos do Amor" que eu falei aqui. E é justamente Chan a mulher que o jornalista tanto procura em outras mulheres em 2046.
Aproveitando as noites de carnaval no sossego, a locadora vira melhor amiga. A parada é que ainda não encontrei em Sampa nenhuma que se igualasse a "Video Session" (Botafogo e São Conrado) do Rio. Se vc pensou na 2001, ainda falta muito. Sabe aquele filme iraniano que só passou em duas salas? Tem. E aquele japonês que nunca chegou ao Brasil? Já está lá. Seus olhos também vão brilhar quando entrar.
SYMPATHY FOR MR. VENGEANCE (Boksuneun Naui Geot), Coréia do Sul, 2002, dir. Park Chanwook. Do sensacional Old Boy eu já falei, um dos meus top 5. Ele faz parte de uma trilogia sobre vingança e Sympathy é o primeiro da série. Ryu, surdo-mudo, cuida da irmã doente, Lim, na fila para um transplante de rim. O tempo vai se esgotando e Ryu começa a se desesperar para conseguir ajudá-la: resolve recorrer ao mercado negro propondo a doação de seu rim em troca de um compatível com o de Lim. Só que quando se está na lama, a tendência é afundar cada vez mais. Ele perde o seu rim (lembrei daquela lenda urbana da banheira), o da irmã e a grana. Para conseguir mais dinheiro, ele e sua namorada Yeong-mi decidem seqüestrar a filha do rico ex-chefe de Ryu, o sr. Park Dong-jin. Só que a lama torna a engolir o moço: a menininha morre sob seus cuidados. Difícil contar mais sem estragar, mas Chanwook conseguiu surpreender: transformar um tema tão cansativamente utilizado em algo verdadeiramente surpreendente. Consegue também chegar a um ponto em que fica difícil dizer quem é "do mal" e quem é "do bem", quem é culpado e quem é inocente. Foda. Agora é esperar o último da trilogia - Sympathy for Lady Vengeance - finalizado e lançado no segundo semestre de 2005.
Carnaval no Rio. Ilesa.
Uma noite de Lapa bastou para ter a certeza de que nosso sentido é o inverso das manifestações populares. Quantidade nunca foi minha cara, e era só o que tinha: gringos, fedor, bêbados, espuminha. Mau humor? Nem uma gota. Refúgio: Nova Capela e de lá, casa.
Sem boemia, viva o sol! Ipanema invadida pelos Sound Systems! Na areia, Apavoramento (RJ), Dubversão (SP), Confronto (DF), Sensorial Sistema de Som... O termômetro marcando 32 graus. Burn! O grave fundindo o cerébro. Burn! O sol derretendo as idéias. Burn! Chapa o côco, tá ligado? Burn, baby, burn!
(Do Arpoador, a vista pro morro do Vidigal - presente pros presentes! Eu agradeço.)
Lá fora, a alegria berra. Nossa paz permanece no silêncio, acolhedor. (A não ser pelo Bill Withers, bem baixinho...)
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